
*Este conteúdo trata de um tema que pode ser considerado sensível. Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência doméstica, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar) em caso de emergência.
O Agosto Lilás é a campanha nacional de conscientização e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, instituída pela Lei nº 14.448/2022 e celebrada durante todo o mês de agosto. A data marca também o aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006. Para o RH, o Agosto Lilás é uma oportunidade concreta de colocar o tema na pauta corporativa — não apenas como um gesto simbólico, mas como parte de uma agenda mais ampla de saúde, segurança e cuidado com o time, que já vem ganhando peso em outras campanhas do calendário, como o Julho Verde.
O que é o Agosto Lilás
O nome da campanha faz referência à cor símbolo do movimento, usada em ações de conscientização, materiais de comunicação e eventos ao longo do mês. A iniciativa reúne órgãos públicos, tribunais de justiça, empresas e organizações da sociedade civil em torno de um mesmo objetivo: dar visibilidade à violência doméstica e reforçar os canais de denúncia e proteção disponíveis às mulheres.
Embora a campanha tenha origem em uma agenda de política pública, ela tem se tornado cada vez mais presente também dentro das empresas, ao lado de outras pautas de diversidade e inclusão, como as discussões sobre equidade de gênero e sobre o combate à discriminação racial nas organizações.
Violência doméstica no Brasil em números
Os dados sobre violência doméstica no Brasil ajudam a entender por que o Agosto Lilás não pode ser tratado como um tema distante da rotina das empresas. Segundo levantamento do Datafolha em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 21,4 milhões de brasileiras — quase um terço da população feminina adulta — sofreram algum tipo de violência física, psicológica ou sexual no último ano.
O Conselho Nacional de Justiça registrou 966.785 novos casos de violência doméstica em 2024, com mais de 1,29 milhão de processos ainda pendentes de julgamento. No primeiro semestre de 2026, o Brasil contabilizou 741 feminicídios, segundo o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher. A maior parte das agressões acontece dentro da própria casa da vítima: dados do Atlas da Violência 2026 (Ipea/FBSP) apontam que 79,9% dos casos ocorrem no interior da residência, e a taxa de homicídios entre mulheres negras é 66,7% superior à registrada entre mulheres não negras.
Esses números reforçam algo que muitas vezes passa despercebido: a violência doméstica não fica restrita ao ambiente familiar. Ela atravessa a porta da empresa junto com a colaboradora, no fôlego que ela tem (ou não) para se concentrar, cumprir prazos e manter sua rotina de trabalho.
Por que as empresas devem falar sobre o Agosto Lilás
Colaboradoras em situação de violência doméstica frequentemente enfrentam reflexos diretos no ambiente de trabalho: absenteísmo, queda de desempenho, dificuldade de concentração e, em alguns casos, maior exposição a comportamentos hostis de colegas ou lideranças. Em situações mais graves, o próprio agressor pode ser alguém do convívio profissional da vítima, o que torna o silêncio ainda mais difícil de romper.
Ignorar esse cenário tem custo — para a colaboradora e para a empresa. Times de RH que já discutem wellbeing corporativo sabem que saúde mental e produtividade caminham juntas, e a violência doméstica é um dos fatores de risco psicossocial que mais afeta silenciosamente o desempenho de quem trabalha. Falar sobre o Agosto Lilás dentro da empresa é também uma forma de reforçar direitos já previstos na CLT e sinalizar, na prática, que a organização é um espaço seguro para pedir ajuda.
Agosto Lilás e NR-1: uma conexão que o RH não pode ignorar
Desde que a nova redação da NR-1 passou a exigir a inclusão de fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), assédio, estresse, burnout e violência deixaram de ser um assunto apenas de bem-estar e passaram a ser também uma exigência regulatória. A violência doméstica entra diretamente nesse mapeamento: colaboradoras nessa situação tendem a apresentar sinais que a própria metodologia da NR-1 pede que a empresa identifique e monitore.
Isso significa que ações realizadas durante o Agosto Lilás — palestras, rodas de conversa, reforço do canal de denúncias — não servem apenas para dar visibilidade ao tema. Elas também geram evidência documentada de que a empresa está atuando sobre um risco psicossocial real, algo que passa a compor o próprio PGR exigido pela norma. Empresas que já revisaram seus processos à luz da NR-1, incluindo exames preventivos previstos na CLT, têm uma base mais sólida para conectar as duas agendas em vez de tratá-las separadamente.
Como o RH pode agir durante o Agosto Lilás
Existem várias formas de transformar essa campanha em ação concreta, que vão muito além de um post nas redes sociais internas:
Reforçar o canal de denúncias. A Lei 14.457/2022 já exige canal confidencial para relatos de assédio e violência em empresas com CIPA — agosto é um bom momento para relembrar o time de que esse canal existe e como usá-lo.
Capacitar lideranças para identificar sinais. Isolamento social, mudanças bruscas de comportamento, faltas frequentes e necessidade constante de justificar decisões cotidianas são sinais que gestores e times de RH podem aprender a reconhecer.
Divulgar a rede de apoio. Compartilhar internamente o número do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e informações sobre a Casa da Mulher Brasileira ajuda a encurtar o caminho entre a colaboradora e a ajuda especializada.
Rever benefícios que ampliam autonomia. Programas de educação financeira nas empresas e apoio como o auxílio-creche fortalecem a independência financeira da colaboradora, um dos principais fatores que dificultam a saída de relações abusivas.
Flexibilizar jornada e afastamentos quando necessário. Entender os direitos previstos na CLT ajuda o RH a orientar a colaboradora sobre licenças e adaptações possíveis durante o período de risco.
Incluir o tema no calendário anual de RH. Assim como outras datas relevantes já fazem parte do planejamento — do calendário de feriados de 2026 a ações sazonais como os kits de Dia dos Pais — vale reservar o Agosto Lilás com a mesma antecedência, garantindo orçamento, comunicação e apoio da liderança.
Se sua empresa quer estruturar um calendário completo de ações ao longo do ano, o ebook com o calendário de RH 2026 da Biz reúne as principais datas para planejar campanhas como essa com antecedência.
Cultura de cuidado também é estratégia de retenção
Empresas que tratam o Agosto Lilás como parte de uma cultura real de cuidado — e não como uma ação isolada — tendem a colher resultado em engajamento e confiança do time. Isso vale tanto para temas sensíveis quanto para o dia a dia: ambientes que praticam alegria no trabalho e cuidado genuíno com as pessoas costumam ter menos rotatividade e mais abertura para que colaboradoras peçam ajuda quando precisam.
Com a Biz, o RH ganha apoio para transformar cuidado em algo que o time sente no dia a dia, e não apenas em uma campanha pontual:
✅ Multibenefícios flexíveis em um único cartão, que dão mais autonomia financeira ao colaborador
✅ Soluções que apoiam saúde, bem-estar e qualidade de vida, alinhadas às exigências de riscos psicossociais da NR-1
✅ Cartões personalizados, que fortalecem o vínculo entre empresa e colaborador em momentos sensíveis
✅ Gestão simples e centralizada, dando ao RH mais tempo para cuidar de pessoas em vez de processos
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